Correio 24 Horas | Panorama Coisa de Cinema homenageia Agnès Varda e Sara Gómez
04/03/2026
XXI edição acontece a partir do dia 25 em Salvador e em Cachoeira.
O Panorama Internacional Coisa de Cinema anunciou nesta terça (3) que vai exibir mais de 130 filmes de longa e curta-metragem na sua 21º edição, que acontecerá de 25 de março a 1º de abril em Salvador, com programação no Cine Glauber Rocha e na Sala Walter da Silveira, e de 25 a 29 de março em Cachoeira, no Cine Theatro Cachoeirano.
Os 72 filmes selecionados para as competitivas Nacional, Baiana e Internacional refletem uma curadoria atenta à diversidade de linguagens, territórios e perspectivas da produção audiovisual atual. As obras foram escolhidas entre os quase dois mil títulos inscritos e compõem um panorama que reúne ficção, documentário, animação e experimentação.
A curadoria foi realizada por Cláudio Marques, Marília Hughes, Adolfo Gomes, Gênesis Nascimento, Rafael Saraiva, Rafael Carvalho, João Paulo Barreto e Juh Almeida.
Nas mostras competitivas Baiana e Nacional, diretores e representantes dos filmes participam de debates com o público após as sessões, promovendo trocas entre realizadores e espectadores.
Competitivas
A Competitiva Nacional traz apenas filmes inéditos na Bahia, com propostas que incluem investigação histórica, formatos híbridos e narrativas centradas em memória, identidade e transformação social. A produção baiana é representada pelo longa-metragem Cais (Safira Moreira), e pelos curtas Restauro (Josi Varjão e Lilih Curi) e Couraça (Susan Kalik e Daniel Arcades). A seleção de oito longas tem ainda obras do Ceará, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e um total de 16 curtas.
Oito longas e 20 curtas realizados em Salvador e outras cidades da Bahia compõem a Competitiva Baiana. A mostra será exibida na capital do estado e em Cachoeira, onde também haverá um júri popular, com votação do público. A mostra oferece diferentes propostas estéticas e narrativas, com ficção, documentários, animações e filmes experimentais.
Pelo segundo ano, as premiações de longa-metragem Nacional e Baiana terão as categorias de melhor direção, roteiro, montagem, atuação, direção de arte, fotografia e som, além da tradicional escolha de melhor longa e melhor curta. Os filmes da Competitiva Baiana também concorrem ao Prêmio Flávia Abubakir, oferecido pelo instituto homônimo: R$ 50 mil para o melhor longa e R$ 10 mil para o melhor curta.
A Competitiva Internacional amplia o diálogo com obras de diferentes regiões do mundo, reunindo 6 longas e 12 curtas produzidos em vários contextos culturais. A seleção inclui produções e coproduções de 28 países, incluindo cinematografias com pouca circulação no Brasil, como a do Sudão, da Estônia, da Albânia, de Singapura, da África do Sul e da Indonésia.

As diretoras Sara Gómez e Agnès Varda terão mostras especiais Crédito: divulgação
Clássicos
Este ano, as mostras de retrospectiva e homenagem são dedicadas às cineastas Agnès Varda (1928-2019) e Sara Gómez (1942-1974), que produziram em países e contextos diferentes, mas tiveram trajetórias marcadas pela ousadia e inovação.
O festival exibirá seis filmes da belga Agnès Varda, incluindo seu longa de estreia A Ponte Curta (1955), que antecipa características da Nouvelle Vague, movimento do qual se tornou um nome central. Já a mostra de Sara Gómez é composta por 14 curtas e pelo primeiro longa de ficção dirigido por uma mulher em Cuba: De Certa Maneira (1977). Na obra, ela discute relações afetivas e sociais a partir das vivências de moradores de um bairro popular de Havana.
Há ainda espaço para atividades formativas, como a tradicional oficina de crítica com Adolfo Gomes. As inscrições são gratuitas e estarão abertas até o dia 17 de março, no site panorama.coisadecinema.com.br. A partir dessa oficina é formado o Júri Jovem, que elege os melhores longas e curtas das competitivas Nacional e Baiana.
Há ainda a Oficina Introdutória à Restauração Digital de Filmes: Estudos de Caso em Múltiplos Formatos, com o arquivista audiovisual William Plotnick, que recebe inscrições até o dia 19 de março. Para os PanLabs de Montagem e de Roteiro, as obras já foram selecionadas.
Competitiva Nacional
Longas
- Até Onde a Vista Alcança – Alice Villela e Hidalgo Romero (SP)
- Cais – Safira Moreira (BA)
- Dolores – Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar (SP)
- Espelho Cigano – João Borges (MG)
- Malaika – André Morais (PB)
- Morte e Vida Madalena – Guto Parente (CE)
- Para Vigo Me Voy! – Lírio Ferreira e Karen Harley (RJ)
- Uma Baleia pode ser Dilacerada como uma Escola de Samba – Marina Meliande e Felipe M. Bragança (RJ)
Curtas
- Ajude os menor – Janderson Felipe e Lucas Litrento (PB / AL)
- Babalu é carne forte – Xulia Doxágui (PE)
- Boi de Salto – Tássia Araújo (PI)
- Caldeirão – Oliveira Júnior, Milena Rocha e Weslley Oliveira (PI)
- Couraça – Susan Kalik e Daniel Arcades (BA)
- Deyse ex machina – Jasmelino de Paiva (AL)
- Eunice Gutman tem histórias – Lucas Vasconcellos (RJ)
- Irmã – Anderson Bardot (ES)
- Laudelina e a felicidade guerreira – Milena Manfredini (RJ)
- Quem se move – Stephanie Ricci (SP)
- Replikka – Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT / PR / SP)
- Réquiem para Moïse – Caio Barretto Briso e Susanna Lira (RJ)
- Restauro – Josi Varjão e Lilih Curi (BA)
- Samba Infinito – Leonardo Martinelli (RJ)
- Sermão – Rauany (SP)
- Zizi (ou oração da jaca fabulosa) – Felipe M. Bragança (RJ)
Competitiva Baiana
Longas
- Afrolatinas: Mulheres Negras em Movimentos – Viviane Ferreira (BA / DF)
- Anti-heróis do Udigrudi Baiano – Henrique Dantas
- Cartas para… – Vânia Lima
- Feiraguay – Francisco Gabriel Rêgo
- Sambadores – Pola Ribeiro
- Terra Batida – Jon Lewis
- Timidez – Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa (BA / RJ)
- Xingu à margem – Wallace Nogueira e Arlete Juruna (BA / PE / PA)
Curtas
- A cachoeira – Rayssa Coelho e Filipe Gama
- A campina – Cadu Reis e Iure Conceição
- A cor da patroa – Milena Anjos
- A praga do resíduo verde – Ramon Coutinho
- Agulha – Luisa Maciel
- Ancestral – Marise Urbano
- Bregueragem – Daniel Arcades
- Cajuína – Mapa Macedo
- Curva acentuada – Leon Sampaio
- Dias de tempestade – Vítor Rocha
- Espinho Remoso – Heraldo de Adeus
- Eu não sei sobre muita coisa – Rebecca Moreno (BA / MA)
- Maic não quer cruzar – Henrique Filho
- Nada será como era antes – Luan Santos
- O Brasil é tri – Edmundo Lacerda (PB / BA)
- O que você é sai por todos os lados – Larissa Lacerda
- Rambutan – Erika Fromm (BA / SP)
- Recessão econômica – Antônio Victor Simas
- Sopro – Fernanda Beling
- Supernova – Leon Sampaio
Competitiva Internacional
Longas
- Aisha não pode voar – Morad Mostafa (Egito / Sudão / Tunísia / Arábia Saudita / Catar / França / Alemanha)
- Coração impaciente – Lauro Cress (Alemanha)
- Deus não vai ajudar – Hana Jušić (Croácia / Itália / Romênia / Grécia / França / Eslovênia)
- Frutos do cacto – Rohan Parashuram Kanawade (Índia / Reino Unido / Canadá)
- Linha verde – Sylvie Ballyot (França / Catar / Líbano)
- Militantropos – Yelizaveta Smith, Alina Gorlova e Simon Mozgovyi (Ucrânia / Áustria / França)
Curtas
- 400 fitas cassetes – Thelyia Petraki (Grécia)
- A mãe é uma pecadora natural – Hoda Taheri e Boris Hadžija (Alemanha)
- Apostador – Jason Adam Maselle (África do Sul / EUA)
- Através dos seus olhos – Nelson Yeo (Singapura)
- Dia de sauna – Anna Hints e Tushar Prakash (Estônia)
- Maionese – Giulia Grandinetti (Itália / Albânia)
- Murmúrios – Xavier Marrades (Espanha)
- O cânone – Martín Seeger (Chile)
- Porque hoje é sábado – Alice Eça Guimarães (Portugal / França / Espanha)
- Sammi, que consegue separar as partes do seu corpo – Rein Maychaelson (Indonésia)
- Um dia bom – Tiago Rosa-Rosso (Portugal)
- Vox humana – Don Josephus Raphael Eblahan (Filipinas / EUA / Singapura)
SERVIÇO – XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema | Salvador: 25 de março a 1 de abril, no Cine Glauber Sala Glauber e na Sala Walter da Sulveira; e em Cachoeira: 25 a 29 de março, no Cine Theatro Cachoeirano | Ingressos: R$ 18 (inteira) e R$ 9 (meia) – Passaporte por R$ 80, e gratuito na Sala Walter da Silveira e no Cine Theatro Cachoeirano


